quinta-feira, 28 de junho de 2018

Amaldiçoados capítulo 4

"Eu tenho o direito de mostrar a minha força, eu tenho o direito de falar o que eu penso, vou pagar por isso, eles vão me queimar em uma fogueira, mas eu tenho o fogo em minhas veias, eu não fui feita para seguir ordens." Christina Aguilera ft Demi Lovato, Fall In Line.


Toda a verdade deste mundo é que sem você estou vivendo um inferno, um caos, uma tempestade sem fim, um inverno incessante. E todas as noites antes de cair no sono eu vejo o seu tosto, mas eles não sabem, eu não os deixo saber que na verdade estou perdida seguindo qualquer caminho, qualquer um que possa me levar de volta a você... De volta ao que me traz paz, de volta aos que faz sentido... Não esqueça de mim... Eu estou cumprindo minha promessa, não esqueça de mim.

Demetria mantivera seus cabelos presos durante dias. Ela empunhou a espada na mão direita, respirou fundo e se virou na direção do ladrão.

_Conte-me novamente sua história. - Ela ordenou seca.

Seu corpo e seu corpo cobertos por uma capa pesada. Suas feições femininas escondidas, assim como suas curvas. Era assim que ela vivia agora. Escondida. Em uma missão de encontrar a fera e trazer Joseph de volta. 8 anos de busca e agora ela sentia que estava perto.

—Conte-me novamente sua história.

Ela passou a ponta de sua espada por baixo de sua unha, a pedra azul cravejada na mesma, brilhou no escuro, ela sorriu sem humor colocando a espada contra a garganta do homem.

—Calma, vamos... Vamos tentar manter a calma, ok? Eu só estou tentando me lembrar dos detalhes.

—Sabe qual detalhe está perdendo Barrabás? Minha paciência é curta.

—Eu já vou falar.— o homem diante dela se engoliu todo e não tirava os olhos azuis da lâmina em seu pescoço.

—Ja deveria ter falado.— ela sorriu novamente, mas desta com humor. Ela arranhou a garaganta do homem lhe arrancando um pouco de sangue.

Ela observou calma o sangue escorrer por sua lâmina e pingar no chão.

—Você vê Barrabás? O seu sangue está caindo, quer que caia também sua cabeça?

—Céus, você é insana. —O homem se perguntava agora se mesmo se ele falasse o que ela queria ele teria alguma chance de sair de lá. Ele apenas foi aquela taverna para beber e esquecer que deu de cara com uma fera e que essa fera lhe impediu de ter o maior tesouro que ele poderia querer. A fera era tão consciente de suas atitudes e palavras que ele começou a imaginar que era uma farsa,as quando a fera partiu para cima dele, Willian apenas saiu correndo deixando seu tesouro para trás, nenhum tesouro valia sua vida. E agora ele estava sob a lâmina de uma mulher louca que não tinha nada além de frieza no olhar, lhe exigindo saber de uma fera. Os tempos não eram mais os mesmos.—Encontrei a fera no castelo abandonado no meio da floresta densa, ao sul do país. Completamente longe da civilização.

—O que fazia no sul da pais? Na floresta densa? Não conhece as lendas?

Demetria não estava interessada na resposta do Barrabás, tudo o que conseguia pensar é que ela já estivera na floresta densa, nunca encontrou o castelo e nem sinal de Joseph... Da fera.

—Eu não acredito em lendas.— Demetria riu, também nao costumava acreditar e sua vida era mais fácil daquela forma ela tentou não levar sua mente a nenhuma boa lembrança do passado, se o Barrabás estivesse certo ela estava próxima de cumprir sua promessa. Encontraria Joseph.— e nenhuma lenda me afastaria de conseguir uma boa quantia de ouro.

Demrtria revirou os olhos, o ouro ainda fazia coisas com a cabeça dos homens.

—Encontrou seu ouro?

—Sim, e também a fera. Tão terrível quanto se possa imaginar.

—Eu não preciso imaginar.— Demetria tinha uma boa lembrança da fera... Garras enormes, chifres, pelo por todo o corpo de Joseph que aquela altura já havia triplicado de tamanho. Mas os olhos... Os olhos... — De que cor eram os olhos da fera?

—O que?

Willian não podia se lembrar de todos os detalhes da fera, mas a pressão da lâmina da espada da mulher em sua garaganta o fez usar sua mente e buscar no fundo de sua mente por trás de todo o licor que havia bebido.

—Barrabás, lembra-se o que eu disse sobre minha paciência?

A espada roçou com mais força a garaganta do homem e mais sangue pintou a espada de Demetria fazendo Willian se assustar.

—Verdes! —Willian gritou no meio da mata escura e silenciosa escondida a noite, ele se xingou por ter escolhido esse caminho para voltar para sua estalagem— A cor dos olhos da fera eram verdes!

Demetria sorriu aliviada. Após 8 anos caçando a fera, finalmente ela tinha algo. Os olhos da fera eram castanhos escuros antes de Joseph retomar sua consciência e o controle de seu corpo. Joseph podia estar preso no corpo daquela horrenda criatura, mas não estava fora de si mesmo.

Talvez, tivesse sido melhor que Joseph tivesse retomado sua consciência antes de matar mais da metade de seu povo e destroçar sua família, mas pelo menos ele conseguiu seu controle. Será que Joseph se lembrava das coisas que a fera fez? Esse pensamento pertubava Demetria  às vezes.

Não era Joseph, era a fera. Mas será que Joseph saberia lidar com a culpa?

—Barrabás você me levará ate lá.—A voz fria de Demetria disfarçava o alívio em sua alma e coração.

—Moça eu não sei o quanto de licor a senhora bebeu, talvez mais do que eu, mas eu não vou voltar lá. A fera deixou claro para não voltar, e que não gosta de ser incomodada.

—Você não entendeu — Demetria riu para disfarçar o nervosismo, ela precisava de Willian, e odiava ter de depender de um ladrão, mas ele era sua única esperança, ela nunca conseguira chegar até o castelo, precisava de um guia.— Você não tem escolha não estou pedindo Barrabás, estou ordenando.

—Você não entende, mulher!

—Você não entende Barrabas— ela falou baixo, esse tipo de homem não se importava muito com a vida, mas com ouro ela precisava mudar seu tipo de persuasão, ela encarou os olhos azuis de Willian sua voz baixa e fria escondia um falso sorriso, uma proposta— Você é um ladrão procurado por todo o país e a colônia eu posso lhe proteger... E ainda lhe dar o ouro que procura.

Willian pensou e considerou, mas ele não era um homem de grande coragem, era mais malandro e esperto do que corajoso, foi assim que sobreviveu todos esses anos e pretendia viver mais.

—Mulher, é a fera que Melinda deu a vida por dar, Melinda o criou sabe apenas o nosso santo Deus!

—Pensei que não acreditasse em lendas.

—E não acredito, mas eu vi a fera.

—E eu já enfrentei a fera.

—E ainda sim quer enfrenta-la novamente? Quem é você?

—A fera tem algo que me pertence e eu pretendo ter de volta, e você Barrabás me levará ate lá, até a fera.

Willian pensou ainda tonto com o licor e com dor no pescoço onde Demetria forçava a espada.  Ele encorajado pela bebida, empurrou a espada da mulher de lado e viu pedras muito brilhantes cravejada na mesma. Ele pensou que talvez a mulher louca tivesse razão sobre o ouro.

—Quem é voce?

—Minha oferta está acabando e se acabar mato você, eu posso achar outra pessoa para me levar lá.

—Eu vejo vantagem em um acordo mulher.—Willian disse com seu melhor sorriso galanteador para Demetria, ele precisava ver o rosto dela, mas mesmo dessa forma tinha certeza que era uma mulher encatadoramente bonita.— Então, vou começar me apresentando sou Willian McHart.

 Demetria respirou fundo guardando a espada.

—Agora, diga o seu nome, não vamos esquecer os bons modos. —Willian disse fazendo graça.

—Nao vamos esquecer que eu tinha uma espada em seu pescoço lhe arrancando sangue, se eu tivesse bons modos nossa conversa não seria assim.

—Muito bem colocado, mulher, mas ainda assim insisto em saber seu nome.

—Meu nome é: me irrite e lhe mato.

—Certo, vamos não tentar não fazer isso, isso não parece nada bom.—Willian disse gesticulando com as mãos e sorrindo mostrando tantos dentes quanto possível.

—Antes de irmos encontrar a fera iremos buscar uma de minhas amigas no vilarejo de san Darko.

—Eu não sou bem vindo no vilarejo de San Darko.

Demetria riu olhando discretamente ao redor, por baixo da capa, havia alguém por entre as árvores.

—Eu também não sou bem vinda em muitos lugares, mas em San Darko se estiver comigo estarás bem. O povo de lá é meu amigo.

—Sendo assim, trilharemos nosso caminho para San Darko.

Demetria puxou um punhal de suas vestes e assoviou imitando um passarinho.

—Willian temos um acordo?

—Você me mantém vivo, levo você até a fera e ganho o ouro?

—É esse mesmo o acordou.—Demetria e William apertaram as mãos, era bom para ambos, motivos diferentes, mas havia um propósito para todos. —Mais uma pergunta Willian, sabe lutar?

O sorriso cafajeste e preguicoso do rapaz se estendeu pelo rosto de Willian.

—Sei correr.

Demetria riu baixo revirando os olhos, se virou e girou a esquerda jogando o punhal no escuro. Ela ouviu quando alguém caiu, e empunhou a espada, por trás das árvores e da névoa três homens saíram de lá, pouco convencidos a lutar com a mulher que simplesmente havia derrubado um deles sem nem enxerga-los.

—Boa noite senhores, estava me perguntando quando apareceriam.

Seu sorriso reluziu. O homem mais esquerda foi o primeiro a ir na direção de Demetria, armado ele foi correndo em direção a ela. Demetria recuou alguns passos jogando a capa para trás e empunhou uma faca, se jogando de joelhos no chão, ela sabia que ele tentaria lhe acertar o peito, e ela não estava em condições de arriscar uma luta corporal desarmando o homem, ela era apenas uma contra tres, ela escorregou por baixo do homem lhe acertando o coração, levantou-se e correu na direção do homem a direita, ele trazia um machado em maos e Demetria soube que precisava ser rapida.

Ele era um homem grande e corpulento ela usou isso a seu favor, diminuiu o ritmo de seus passos e empunhou a espada, quando o homem correu em sua direção ela respirou fundo, ele se aproximou gritando e sacudindo sua machada, Demetria se colocou com apenas um joelho no chão segurou sua espada com as duas maos e enfiou no estômago do homem só parando quando sentiu que não havia mais lâmina.

Puxou sua espada e chutou o corpo sem vida do homem para tras, se levantado completamente puxou sua espada, toda ensanguentada.

—Por que estão me seguindo?_Ela perguntou ao terceiro e último homem.

—Ordens.

—Uma pena. Eu não sigo ordens.

Ela riu, enfiando sua espada debaixo para cima no peito do homem.

—Que Deus tenha piedade da alma de vocês.

Ela retirou suas espadas e as guardou, deu mais alguns passos e encontrou sua adaga na testa de um outro homem, demetria quase pensou em fazer um sinal da cruz, mas não sentia que isso pertencia a ela.

“Você tem pouca fé, Abelinha", ela ouviu claramente a voz brincalhona de Joseph em seu ouvido ela respirou fundo tentando não chorar. Sentia falta dele em seus ossos.

Recuperada voltou-se para Willian.

—Seus amigos Willian?

—O que?

Demetria encarou Willian que tinha os olhos arregalados e eacancarados.

—Não, eu não tenho amigos, quero dizer, você é minha amiga mulher, difo senhora, digo alteza e...

Willian desmaiou.

—Que tipo de homem é você?

Demetria perguntou escondendo seu punhal e assoviando para chamar sua égua Nina.

—Veja Nina que tipo de companhia nós arranjamos.

Demetria juntou as coisas necessárias para fazer duas foguerias, uma para ela e Willian se aquecerem e outra para queimar os corpos daqueles bastardos.


Ela não iria chorar ou rezar por eles.